PS: AMO-TE!
Eu sou teu, sê também minha… sabes,
eu tenho muito medo de olhar para o futuro? Vejo ali, ou uma luz que me cega;
ou uma escuridão que me apavora; sinto que, uma ou outra dessas coisas vai
acabar comigo.
Nem todos compreendem a minha
escrita pois, os meus textos são melancolicamente sentimentais ou tristemente
religiosos, segredando os insuportáveis sofrimentos de que se forma a minha
existência e o decisivo desencanto pela vida. Neste deprimente ambiente, em que
as mágoas e as desilusões são formatadas, a vida para mim, nada é mais que um permanente
motivo de sofrimento. Se quem me lê é, possivelmente, tão ignorante como eu,
não deixará de guardar esta valiosa explicação que generosamente convosco distribuo
e, aos meus sérios leitores e, sobretudo, a alguma leitora que por engano, aqui
tenha vindo parar, tenha ficado envergonhada e melindrada, peço perdão do acontecimento,
sugerindo que passem por cima de algum dos atrevidíssimos e obscenos parágrafos
que seguem:
Eu amo-te, Fernando, gritou ela
estorcendo-se toda colada ao corpo dele, amo-te; meu amante adorado, minha vida
- amo-te, exige de mim tudo, tudo - tudo.
Eu sinto no coração
Um fogo abrasador
Que me devora a existência
A consumir-me de dor
Caros leitores, o pior já escrevi, mas, em relação ao sexo oposto gostaria de informar que detesto a mulher pretensiosa com o mesmo ódio que tenho ao homem presunçoso; enjoa-me a mulher que se busca, com a mesma repugnância com que escuto tanto palerma que se considera um ser superior, caminhando de cabeça erguida e olhares dominantes, que ostenta a sua ignorância, falando de todas as coisas, sem falar de coisa alguma, apenas disparates saem dessas bocas! No entanto, a mulher vaidosa e a mulher que sabe e que escreve sem ambições ruidosas, há um despenhadeiro. Eu creio na inteligência da mulher e sobretudo creio na sua viva imaginação.
A mulher que sonha com um amor
íntimo, que se extasia com o espetáculo de todas as belezas da inteligência e
dos sentidos; cuja alma se eleva até ao infinito pelas aspirações imortais o
que poderá dizer-vos se falar?...
Sabem por ventura quem eu sou; ou
com aquilo que aqui leram, uma parte do que se me passa na alma, quereis que
levante a cortina que me oculta a fim de revelar ainda um resto de verdade?...
Querem procurar no mais escuro do meu pensamento, os vestígios da culpa que hipocritamente se ostenta e impõe ou, a vergonha da falta de um resto de vergonha oculta? Considero-me poeta pelo sentimento; homem de letras tão superior pela intelectualidade, como inspirado pelo coração… falarei então, um pouco de mim, dizendo o que és, o que representas para mim e, que o pensarás sobre mim, nunca escrevo para satisfação de quem me lê, e por isso ser-me-ia impossível sustentar convosco uma escrita que não reflita os meus sentimentos; e antevendo vagamente que devo privar-me do prazer que recebia escrevendo-vos, embora sinta um desgosto imenso: É que a minha vida era monótona, árida e triste; e o pensamento de que existias, que compreendias as dores profundas da minha alma a espalhou como todas as belezas do coração. A minha alma procurou e a tua uniu-se-lhe, revelou tudo o que sentia, e recebeu de ti consolações e a vida! Abençoada pois; eras companheira e confidente das amarguras, pelo prazer e vida que me destes. Sinto por ti um afeto reconhecido e suave, sempre confiei em ti e confio… se conseguíssemos rir e escarnecer desta inexplicável aventura. Sabes que te amo, uma grande verdade (sei que não acreditarás nunca mais em nada que te diga, é talvez a grande verdade da minha vida: AMO-TE, AMO-TE MUITO, porém o meu amor por mais excessivo e enérgico que seja, não me fará nunca envergonhar da chama que me abrasa. A minha alma, purificada na prova difícil dos sofrimentos… o meu amor alimenta-se de si mesmo, vive da sua própria vida.
Desejas por acaso penetrar até às
profundezas do meu coração para ai ler os mais íntimos e recatados segredos da
alma; e devassar-lhe os mistérios, pois à muito que te amo (para ser mais
correto treze anos) mas, sei que durante a nossa vida em comum fui muito amado.
Sempre pensar que era tudo eram sentimentos… enganei-me! era apenas uma febre,
delírio, uma talvez até uma fantasia… Paula, não gostava de morrer sem saber o
sentes por mim hoje? amor? um extremoso, um carinho? ternura? compaixão? Ou,
apenas uma indiferença, ou talvez uma grande repugnância?
Depois desta leitura, perdoa-me
erros ortográficos, meu amor, esquece tudo que eu disse, por ti me atrevi
escrever e, mas, no final e sem te rires dá-me um beijo e um sorriso dos teus
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