A VENDA DA REFINARIA DE SINES

 


A especialidade dos governantes é tratar exaustiva e publicamente os assuntos pouco importantes, ignorando e encobrindo tudo o que é importante.  É o caso da venda da única refinaria de petróleo existente em Portugal (a de Matosinhos, foi vendida durante o governo António Costa). Até hoje, o governo português encontra-se calado no que se refere a esta operação.

Este assunto, deve ser debatido com honestidade! Pessoalmente, na altura e, conhecendo bem o sector petrolífero internacional e as suas implicações, depois de analisados alguns pressupostos, pareceu-me que tinha só até ao final desse mês (julho) para impedir que este bem passasse para o investimento estrangeiro. Este prazo terminou, mas parece agora que a escritura de venda será assinada no início de outubro, o encerramento da fábrica será, contudo, inevitável.

A fusão subjacente entre a GALP e as empresas espanholas está a ser financiada pelo fundo de capital de risco norte-americano Carlyle Group, conhecido pelas atividades de «aquisição total» relacionadas com ativos estratégicos; especialmente aqueles de natureza bélica. Devido à situação explosiva no Médio Oriente, bem como às trapalhadas do comércio global, devido em grande medida à intervenção dos EUA e Israel, as relações entre a UE e os EUA tornaram-se, bastante complicadas. O desassossego entre os trabalhadores, como entre as autoridades, que estimam que mais uma vez, a segurança nacional saia do seu controlo. Além disso, não tem sido prestada atenção à medida em que Portugal já apoiou a transição da refinaria da produção de petróleo para a de biocombustíveis e hidrogénio verde. A empresa japonesa Mitsui investiu 400 milhões de euros num projeto relacionado, mas não é claro se o mesmo teria sido incluído na transação da GALP ou se esta unidade operará autonomamente. Como é sabido, os biocombustíveis são produzidos através da decomposição de resíduos alimentares, óleos de cozinha usados, bem como gorduras animais. Prevalecendo o gasóleo para máquinas agrícolas, um subproduto surpreendente é o “combustível de aviação sustentável”. Mas, esta transformação é estimada de grande importância para a UE, que oferece subsídios para apoiar a alargamento da indústria no centro e norte de Portugal.

A questão de até que ponto Portugal e a UE devem ceder soberania sobre ativos estratégicos ao capital estrangeiro (seja ele do Ocidente ou do Oriente) deve recair fortemente sobre os nossos legisladores.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

AS PALAVRAS QUE NUNCA TE DIREI!

NÃO CONSIGO SACIAR-ME DE TI...