OLHANDO O MAR
Hoje sinto frio... um frio que, não sendo normal pois atá um excelente dia, ensolarado e com uma temperatura agradável e inabitual, em comparação com o tempo em Dublin, um frio, que vem de dentro de mim, profundo, que se acomoda na alma e me embrulha num manto de solidão, é um frio incomodativo e aborrecido que me separa de ti e que me põe do outro lado do mar num sítio inabitável a fim de que não exista entre nós nenhuma comunicação.
Nasci com capacidade afetiva e, também racional, através da afetividade sinto as emoções e sentimentos. hoje, espero, com calma, pelo calor que sei que virá pois, tenho tanta certeza, que virá, como, neste momento estar vivo! No fundo, acredito que, depois do frio mais intenso, o calor do amor e da vida será ainda mais estimado.
Esforço-me para sorrir, tentando disfarçar esta tempestade interna, mas a verdade é que só me apetece chorar, e, às vezes, nem isso sou capaz, sabes, as lágrimas, que conseguiriam ser uma liberdade, ficam presas, como se o frio as tivesse congelado, fico aqui, sozinho, olhar parado o mar, tento compreender tudo e, pensar no nada, com um vazio que me desgasta toda a minha energia.

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