PÉSSIMISMO E PREOCUPAÇÃO!
Vi, numa entrevista televisiva, Passos Coelho a disser o que pensa, o que é raro na política portuguesa, comentou ainda que mais de 60% dos deputados estão à direita do PS e que, o Bloco Central não tem condições para subsistir. Posso discordar, pois, desde 2024, que a direita vive baseada na fórmula "não é não", Era uma frase confortável que serviu de trampolim para terá ajudado Montenegro a chegar ao Governo, Passos lembrou ainda que que mais de um milhão de portugueses não votou no Chega por engano.
Numa altura em que o mundo atravessa uma fase tão complicada, haver quem proponha saídas e novos caminhos só pode ser elogiado, Passos Coelho fez o trabalho mais complicado, pois disse em voz alta o que parte do PSD diz em surdina. Resumindo, se tudo correr bem, o mérito é do Governo, mas, se correr mal, a culpa passa a ser de Passos Coelho.
Resumindo um dos temas atuais:
Orçamento de Estado (OE) de 2027
O Orçamento, já estava aprovado antes de ser conhecido, graças à abstenção do PS. Portanto, o governo, embora impopular, vai manter-se na governação.
O Governo aumenta carga fiscal em mais de 4% e atinge um valor recorde, pois, na realidade o Estado vai cobrar 70,7 mil milhões de euros, o valor mais alto de sempre. A maior fatia vem do IVA, o maior imposto indireto, cuja receita deve subir 5,3%, graças ao aumento do consumo, já que taxas não mudam, pois, são as maiores da Europa (a normal é de 23% quando em Espanha é de 21% e na Alemanha de 19%).
Outro imposto indireto é o ISP, relativo aos produtos petrolíferos, cuja receita crescerá 5,2%. Mais uma vez, temos uma das mais altas taxas da Europa (basta ir a uma bomba de gasolina espanhola para ter combustível mais barato). Dá-se o caso aberrante de o IVA incidir sobre o ISP: isto é, o Estado cobra um imposto sobre um imposto! um caso de dupla tributação
O IRS e o IRC são impostos diretos. A receita do primeiro deve subir 3,4%, enquanto a do segundo deve cair 1%. Em média, o rácio entre o nosso IRS e os rendimentos de trabalho é baixo a nível europeu. Esta média é, porém, enganadora, muitas famílias ganham muito pouco e não pagam IRS, enquanto outras, devido às modificações dos escalões que sobem rapidamente, são muito penalizadas, mesmo não sendo ricas.
Os impostos (IRC e derramas) pagos pelas empresas são dos mais altos da Europa. O ministro das Finanças disse que a carga fiscal vai descer em 2027, não estando a mentir, protege-se na definição técnica, o total de receitas fiscais e o PIB.
No entanto, se o PIB crescer 2,1%, como é dito com algum otimismo, o valor dos impostos recebidos subirá, mas, no entanto a carga manter-se-á nos 35%, um valor abaixo da média da União Europeia.
O esforço fiscal, que representa a fatia dos rendimentos pessoais absorvida por qualquer dos impostos e, assim, voltamos a ficar no topo europeu. Assim, um salário bruto de 1.500 EUR, um português fica com 1.115 EUR, menos do que um espanhol ou um alemão.

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