REAPRENDENDO AS PALAVRAS DA PAIXÃO
Não quero o silêncio, quero reaprender as palavras da paixão, reaprender a guardar nelas o que restar dos beijos que sempre me desalinharam os sentidos. Não desistas, porque não te quero suspensa, quero-te táctil, tensa, e, quando adormeces sobre o meu peito, o início perdurável do nosso entendimento, nada de lençóis arrumados à pressa, não me apetece um espaço criado no vazio do medo, quero apenas tudo o que poderia querer alguém que ama, tu, não és mais um rosto, nem mais um corpo na minha cama... Tu és, tu! és aquela que me permite ser quem eu sou, que gosto de ser, festa feito de amor e um sorriso que acompanha a mão, afagando o beijo que nela deposito.
No lugar onde me refugio, quero meu corpo moldado às tuas rimas, ser a silaba mais lasciva do poema! Ser uma ânsia diferente que de tanto se querer tua, entrega-se sem pudor a um texto sem virgulas, arrojado e quente. Neste verso em que me queimo no prazer de ter-te dentro de mim, as palavras são desnecessárias neste momento já não sou nada a não ser boca, mãos, pés pele, suor, saliva...
Este é o meu fim de noite perfeito, o meu coração alimenta-se de coisas insustentáveis e minúsculas talvez por ser o único vocábulo redondo onde as arestas se harmonizam tentando encontrar a verdade… Talvez seja por esse motivo que detesto discussões, disputas que não nos levam a nada, mas confesso-te que me dói ter sempre razão com relação às coisas que vão sucedendo, mas também, o quanto eu preciso de ti, tu sabes e eu sei que já não inventaremos nada de novo, mas viveremos em gestos nossos, apaixonadamente, usando como nossa, a voz do encantamento, sabes… o silêncio deixa de ser desespero do beijo que ficou por dar, pelo lençol esquecido nas bordas de uma cama fria onde um nome deixou de repousar, com toda a doçura que me escorre na garganta de palavras feitas de desejo que repetimos incessantemente a cada toque, a cada beijo...
E nesta troca de saliva em que as nossas bocas são somente uma, estaremos prontos a escrever o poema das nossas vidas. Obrigado Paula Alexandra, és uma mulher maravilhosa!

Comentários
Enviar um comentário