PROFESSOR!

 


A professor foi aluno, mas tem de continuar a sê-lo para continuar a estudar e a estar sempre a par do que se passa no mundo do saber, nunca esquecendo o que pensava, quando discípulo, do ensino, das matérias, dos docentes. Daí, quando professor, ter de conduzir-se na aula o mais adequadamente possível, de acompanhar e de ensinar alunos. Tudo isto sem fraquezas, mas também sem confusões e sem abusos, sem dar destaque à tão falada criatividade dos educandos, às iniciativas que no campo disciplinar têm causado dissabores a muitos desejados pedagogos, nada, porém, pode absolver aqueles que em jovens algo sofreram com professores rigorosos e que procuram determinar agora o mesmo regímen aos que caíram nas suas mãos. Esta é, parece-me, a base do melhor ensino, bem fundamentado e bom preparador da juventude para a vida prática, sem perder tempo com discussões tolas e com conceitos abstratos que não se podem transmitir, quase todos recolhidos em manuais, de estrangeiros, a olharem para outras sociedades, ainda por cima escritos por quem nuns casos nunca ensinou nos graus a que se referem os seus tratados, noutros por quem esteve longe de ser bom docente. O mesmo se pode dizer de muitos dos que querem utilizar (sem sequer adaptar) tais métodos. Basicamente, prezados e queridos amigos, ou se nasce professor ou não se é professor. E o saber não é o pouco que se traz dos cursos superiores. É, isso sim, o aperfeiçoamento da especialidade, conhecê-la a fundo, o estar sempre pronto, na própria hora, a satisfazer programas atuais, mudados ou permutados, à sua crítica, à satisfação sem rodeios da curiosidade dos alunos, à compreensão do que constantemente nos trazem os progressos científicos. E assim estamos também em condições de “aguentar” aulas de princípio ao fim, porque despertou-se nos alunos o interesse pelas coisas tratadas que naturalmente têm de ser coisas da vida, da vida de hoje. Daí tê-los disciplinarmente dominados e assim torna-se possível, e até fácil, os alunos passarem sem necessidade de advertências severas, de expulsões, de participações e de outras provas de fraqueza numa profissão que, toda ela, tem de ser de muita força...

Isto explica naturalmente a necessidade de haver uma constante preparação, uma habituação ao estudo e até de um salutar gosto pela investigação, em prejuízo de outras atividades que podem trazer proveitos não intelectuais algumas, todas sem grande benefício para a comunidade. O gosto pela investigação valoriza e esclarece o professor naquilo que realmente interessa esclarecer, cria a ânsia pela perfeição e repele a degradação, dá-lhe forças para ser responsável no mundo científico de que deve fazer parte e consequentemente nas aulas, onde têm de cair, cada um com todo o seu peso, o seu saber adquirido, o seu mecanismo de progresso, o seu exemplo aos alunos, mesmo aos de menor aproveitamento.

E então a professora, como cientista, como artista, toma sobre si o duro cargo de compreender em vez de julgar. E isto porque neste mundo em que vivemos se houver necessidade de tomar um partido, este só pode ser aquele que a sociedade deseja, uma sociedade onde não reine o juiz! e isto também vale pelo que representa de esforço pessoal, sem depender da existência, ou não existência, de limitações ou de apoios oficiais, ou não oficiais, a falta de apoios, que em alguns casos não se justificariam, que tem sido razão verbal para muita gente, cómoda e tranquilamente, continuar a viver mergulhada, em toda a profundidade e em toda a extensão, na ociosidade. Pouco nos podem interessar apoios exteriores, o que importa é ter vontade e forças para saltar os muros, rebentar os portões e derrotar as más vontades, pessimismos, invejas, inatividades. Como sabem, tudo isto não são só teorias, mas talvez fruto de um entendimento lógico. Peço-vos desculpa por estar a falar do padre-nosso a vigários, peço muita desculpa, foi um abuso. Mas, apenas quis justificar que há nas atividades ligadas, sem limites entre si, pois, a vida do professor que é complicada, com tantas coisas a ensinar, com tantas provas a corrigir, com toda a preocupação em saber se os seus ensinamentos foram assimilados foram ou não assimilados e, todas com o mesmo objetivo, o aperfeiçoamento profissional de um professor. Peço desculpa da extensão do que já disse, peço muita desculpa por estar a roubar o vosso precioso tempo a quem tanto tempo já perdeu. Este texto tem como base laços sentimentais, e observação de todo o trabalho desenvolvido por ti Paula e que basicamente sempre acompanhei, no entanto, agora tornaram-se mais fortes porque, além da amizade são laços de muitas amizades travadas durante estes últimos anos com profissionais maravilhosos.

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